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Comissão Europeia corta projeção de crescimento e revisa inflação após tarifas dos EUA

A Comissão Europeia reduziu, nesta segunda-feira (19), suas projeções de crescimento econômico para a zona do euro como reflexo da política comercial dos Estados Unidos. A nova estimativa é de que o Produto Interno Bruto (PIB) avance 0,9% em 2025, abaixo dos 1,3% previstos em novembro de 2024, com o impacto das tarifas dos EUA.

Para 2026, a projeção também foi revista para baixo, de 1,6% para 1,4%. Em 2024, o crescimento do PIB foi de 0,4%, evidenciando uma recuperação lenta da economia do bloco.

A Comissão Europeia também pontuou entre os fatores para a piora no cenário econômico europeu o aumento dos gastos com defesa e esforços de investimentos na Alemanha para impulsionar a infraestrutura como possível força motriz para a atividade da região.

Tarifas dos EUA impactam exportações europeias

A Comissão Europeia alerta que as tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos europeus aumentam a incerteza global e pressionam negativamente as exportações da União Europeia (UE).

Em abril, o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou um aumento de tarifas para até 25% sobre várias importações da UE. Apesar de o aumento ter sido suspenso por 90 dias, a Comissão já trabalha com a premissa de que os EUA manterão tarifas de 10% sobre a maioria dos produtos europeus.

O cenário projetado inclui tarifas de 25% sobre automóveis, aço e alumínio. Por outro lado, produtos farmacêuticos e microprocessadores devem continuar isentos.

Como consequência, a previsão de crescimento das exportações da UE para 2025 caiu de 2,2% (projeção anterior) para apenas 0,7%.

Inflação deve desacelerar até 2026

A Comissão Europeia também revisou para baixo suas estimativas para a inflação. A taxa de inflação ao consumidor na zona do euro deverá encerrar 2025 em 2,1%, com nova desaceleração para 1,7% em 2026 — ambos os valores abaixo da meta de 2% do Banco Central Europeu (BCE). Em 2024, a inflação foi de 2,4%.

O relatório aponta que o crescimento mais fraco da economia contribui para esse arrefecimento dos preços, somado à queda nos custos de energia.

Inflação na zona do euro segue estável em abril

Dados do Eurostat, também divulgados nesta segunda-feira (19), mostram que a inflação anual na zona do euro manteve-se em 2,2% em abril, o mesmo patamar de março. Na União Europeia como um todo, a taxa recuou de 2,5% para 2,4%.

A França registrou a menor inflação entre os países do bloco, com 0,9%. Já a Romênia apresentou a maior taxa, com 4,9%, seguida por Estônia (4,4%) e Hungria (4,2%).

No total, 13 países da UE apresentaram queda na inflação entre março e abril. Entre eles estão Alemanha, Itália, Polônia e República Checa. Outros 11 países registraram aumento, incluindo Áustria, Dinamarca, Portugal e Países Baixos.

O setor de serviços foi o principal responsável pela inflação em abril, contribuindo com 1,8 ponto percentual. Alimentos, bebidas alcoólicas e tabaco adicionaram 0,57 ponto. Já o setor de energia teve impacto negativo, retirando 0,35 ponto da inflação total.

Tendência de queda do desemprego

Apesar do enfraquecimento da atividade econômica, a taxa de desemprego na zona do euro segue em tendência de queda.

A projeção da Comissão é de 6,3% em 2025 e 6,1% em 2026, ante 6,4% em 2024.

Perspectiva permanece negativa com tarifas dos EUA

O comissário de economia da UE, Valdis Dombrovskis, afirmou que “os riscos para as perspectivas continuam inclinados para o lado negativo”, destacando a incerteza em relação à política comercial dos EUA e ao ambiente geopolítico global.

Maarten Verwey, diretor-geral de Assuntos Econômicos e Financeiros da Comissão, reforçou que a imprevisibilidade da política externa norte-americana “não diminuirá no curto prazo” e continuará afetando a economia europeia.